quarta-feira, março 29, 2006

Covardia humana

Desde já agradeço a Fátima do Mundo animal por este e-mail que eu só poderia publicar na web.
Obrigada Fátima!
Estou aguardando que a imprensa oficial e a mídia se manifestem sobre esta covardia de homens que desejam parecer corajosos. E me parece que algumas mulheres se não participam da farra do boi, também participariam, mas vamos varrer esta vergonha e atraso espiritual da face da terra e Deus é grande. Taí:

PARA REFLETIR E REPASSAR AOS AMIGOS........(e pros inimigos também divulguem não necessariamente por e-mail- pois tem inimigo que pode ter coração, nunca se sabe...0 parenteses é meu-mas, saibam que não envio nenhum e-mail que possa virar corrente e não tenho feito nenhuma excessão quanto a isso )

Bjs
Fátima
http://mundoanimal2.blogspot.com/



Da farra-de-homens mal-acostumados, contra bois indefesosSônia T. FelipeDo boi e do homem voltamos sempre a falar, no Estado de Santa Catarina, a cada ano, com a aproximação das festas da ressurreição. Sempre a pretexto de se preservar a cultura e a tradição açorianas, trazidas para a Ilha de Santa Catarina, aficcionados cidadãos, rasgando a Constituição e ridicularizando a ética e a justiça, reúne-se, levando suas próprias crianças, tãovulneráveis à violência e à morte como o boi, para correr atrás de bois, em estado de pânico. Parece muito inocente, essa farra que mata jovens emeninos, todos os anos, erroneamente denominada de a farra do boi, pois, a bem da verdade, ela é simplesmente a farra de alguns poucos homens, comgosto de sangue a lhes anuviar o sabor da própria vida.O boi corre, exausto, faz investidas contra os que o maltratam, estaca,senta-se, bufa, as narinas dilatadas, o pulmão em sufoco, o coração emdisparada, um toco ensangüentado no lugar da cauda. Coração, pulmões,músculos, e a desproporção entre a estrutura muscular de suas pernas e o volume do corpo, obrigado pela multidão a mover-se com velocidade, são o que de mais objetivo se apresenta aos sapiens, como indicadores da constituição vulnerável do bovino.Por natureza, esse animal não é de corrida, muito menos, de luta. Ele não tem garras nem presas. Não ataca a não ser em legítima defesa, não morde, nem fere, se deixado em paz. O volume de seu corpo, porém, excita os machos que fazem uma farra. Confrontar-se com tal volume parece propiciar-lhes o que lhes falta: virilidade. E esta não se mostra boa-coisa. É bruta. Machuca e mata.Investir contra os que o atacam, nem sempre resulta eficaz, para o boi. Para poder investir com sucesso, faltam-lhe os músculos típicos do arranque veloz e da corrida-de-fundo. Falta-lhe, ainda, treinador, massagista,fisioterapeuta, benesses dos reais lutadores humanos, que sobem às arenas do boxe, e das demais lutas nas quais homens confrontam-se fisicamente.Mas, não se trata apenas da constituição anatômica e fisiológica do animal, também de sua constituição psíquica. O boi investe contra esse outro animal que o provoca, não porque ache isso uma delícia de brincadeira. Ele o faz, tentando demover o agressor de aproximar-se demasiadamente do seu corpo.Afinal, um corpo enorme, pesando mais de meia tonelada, sustentado etransportado por quatro pernas pequenas e finas, com músculos impróprios para a luta, é tudo o que o animal tem, para mostrar ao homem que se excita em sua presença, que essa tradição não apenas é de pouco bom-gosto, mascruel em sua origem, pois parte do suposto de que os animais são objetos da diversão de homens entediados. Bois são lentos ao caminhar. Grande é aqueima de oxigênio para mover seu corpo, por isso ele se move com lentidão.Falta-lhe oxigênio.O mesmo nos acontece. Sofremos quando temos de nos deslocar em velocidade superior à da reposição de oxigênio. Por essa razão, comemoramos tanto o velocista olímpico, o maratonista. Pois o atleta força sua natureza asuperar-se. A diferença é que ele escolhe o desafio e o custo de romper seus próprios limites biológicos. O boi não tem escolha. É simplesmente forçado a compor uma cena que jamais poderá lhe propiciar qualquer benefício. Enquanto os atletas treinam anos a fio sua fisiologia, para superar a condiçãonatural e competir com seus iguais, na arte treinada, a maioria dos seres humanos não se dedica a nada disso, pois não vê benefício algum em gastar tanta energia, para compor a cena final da competição, e servir deespetáculo para os sedentários.Somos como os bois. Sem treino para o jogo. Qualquer esforço sobre músculos do nosso corpo, não utilizados nas atividades sedentárias diárias, resulta em falta de ar, pulsação acelerada, perda de líquido, dores horríveisdurante o esforço desmesurado e no dia seguinte. Em nosso psiquismo a reação que se esboça é a de uma profunda angústia, medo de parada cardíaca, medo de sufocar, medo da dor. Sentamos na calçada, ofegantes. Mas, ninguém nos dá cutucadas nem chutes para que prossigamos.Tudo o que mais abominariam, caso alguém se atrevesse a fazer contra seus corpos, na farra-do-boi, esses homens fazem contra o animal. Toda acrueldade é praticada em nome da tradição, como se a defesa de um costume fosse um valor absoluto, mesmo quando o costume aparece aos olhos de todos os demais como brutal, violento, inútil, injusto, expressão de um atraso moral inqualificável, pois não faltam argumentos contrários aos mesmos, na mídia impressa, escrita e televisionada.Os açorianos, caso algum dia tenham brincado com bois soltos nas ruas,certamente o fizeram num tempo em que não havia mais nada para distrair a multidão aborrecida, a não ser os rituais religiosos. A farra é um atonão-religioso, fere os princípios mais básicos da moralidade humana, osentido de justiça e o próprio conceito de humanidade que a tanto custo se tem procurado construir na natureza dos animais dotados de razão esensibilidade.Os animais sensíveis não sentem apenas a dor, têm consciência e angústia do limite de seu corpo. A crueldade contra eles expressa simplesmente o nível de crueldade da qual o homem é capaz, contra os seres de sua própriaespécie.Um país que vilipendia sua própria Constituição, que deixa os policiaisobservando as práticas de crueldade contra os bois sem levar preso quemfarreia, julga-se acima da moralidade humana, acima dos padrõesinternacionais de civilidade, acima do dever de compaixão e de justiça.Nesse país, por conta de sua tradição hipócrita e indiferente ao sofrimento de quem sofre a crueldade, exatamente, perecem meninos, vítimas dessa farra contra vida, que, hoje, ao redor do planeta, só no Brasil se pratica com desdém, pois em outros lugares a morte vem pela mão do inimigo, não do que está próximo. No Brasil, há uma farra contra a vida dos seres vulneráveis à brutalidade alheia, que se estabelece a cada dia. Ora o boi é usado como arma para matar a criança, ora o automóvel, ou o hábito de consumir drogas fornecidas por um mercado de violência e morte.Em uma região apenas, de Santa Catarina, temos essa farra repulsiva, arepetir-se cada ano. O povo do resto do Estado envergonha-se de encabeçar, na quaresma, a lista dos mais violadores dos direitos animais, ao redor do planeta. Mas, a matriz cognitiva e moral da violência é de uma mesmanatureza: sua matança em massa, nos centros de confinamento dos animais para o abate, e pela tortura contra os bois escolhidos para a farra dosmal-acostumados a uma tradição que apenas nos achincalha, nosso Estado está batendo todos os recordes internacionais de maldade contra os animais. Há alguém que sente orgulho disso?Jamais presenciamos qualquer animal praticando atos que excedam suacapacidade física natural. E, menos ainda, o fazem contra nós. Sempre que presenciamos uma cena dessas, esses animais estão em nosso poder e sãoforçados, por medo de chibatadas, medo da morte ou angústia artificialmente produzida, a fazerem o que, por livre e espontânea vontade jamais fariam.A farra dos homens contra o boi é uma farra andro-chauvinista, exclusiva do homem. Emoções fortes é o que esse procura, ao colocar um boi na jogada. As mesmas emoções, com nenhum prejuízo ético, esse homem pode conseguircorrendo colina acima, para chegar por primeiro. Imagine se um boi operseguisse colina acima! Farra, na qual uma das partes nada ganha e tudo perde, e outra se regozija é gozo, não é brincadeira. A perversão moral leva o homem a julgar que deve preservar a tradição que lhe assegura o privilégio de gozar às custas da dor e do sofrimento alheios. O estupro é uma prática sexual tradicional. A violência contra as mulheres, também. Não porcoincidência, ambas são práticas tradicionais de homens, contra seresvulneráveis.Se seres superiores a nós em inteligência nos capturassem e nos levassem em gaiolas para seus territórios, nos usassem em brincadeiras aterrorizantes, incompreensíveis para nosso intelecto, certamente não expressaríamos em sua língua o sofrimento ao qual nos sujeitariam, mas, estarrecidos,consta taríamos a existência de seres capazes da maldade, resultante do uso de sua superioridade intelectual e racional para troçar cruelmente de nós. O modo como toleramos a crueldade e extermínio de animais não-sapiens revela, lamentavelmente, o quanto toleramos a crueldade contra adolescentes nasruas, negros, homossexuais, mulheres, idosos, pobres e sem-teto. Paramudarmos nossa relação com esses últimos, urge que nos demos conta do que fazemos a todos os seres que julgamos inferiores a nós.Ilha de Santa Catarina, 21 de março de 2006(Sônia T. Felipe - Doutora em Teoria Política e Filosofia Moral,Co-fundadora do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Violência;voluntária do Centro de Direitos Humanos da Grande Florianópolis(1997-2001); co-autora de, A violência das mortes por decreto; O corpoviolentado; Justiça como Eqüidade, Por uma questão de princípios. Coordena oLaboratório de Ética Prática, do Departamento de Filosofia da UFSC,professora e pesquisadora dos Programas de graduação e pós-graduação emFilosofia, e do Doutorado Interdisciplinar em Ciências Humanas, da UFSC,autora de dezenas de artigos em coletâneas nacionais e internacionais sobreética animal, Membro Permanente do Centro de Filosofia da Universidade deLisboa e do Bioethics Institute da Fundação Luso-americana para oDesenvolvimento, Lisboa)


LUTE PELO FIM DA FARRA DO BOI!LINK PARA ASSINAR CARTA DE PROTESTO http://two.guestbook.de/gb.cgi?gid=849400&prot=hvfnvl
MAIS INFORMAÇÕES : http://www.eobicho.org/
Ajudem, por favor! Que ser "humano" possa continuar tendo esta conotação de pessoa boa e compassiva e não o contrário. Conto com você. Vamos exercer direitos!
Obrigada a todos os que leram e refletiram esta notícia, mesmo àqueles que ficaram irritados, pois esta irritação pode ser transformada em verdadeira conscientização para que possamos todos acordar para nossa verdadeira natureza que não só razão, nem muito menos brutalidade.
Mu!


Farra do boi nunca mais!

Mu!

Notícia publicada em carácter de urgência assim que eu abri este e-mail.

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