domingo, outubro 23, 2005

Luta

Você faz parte...

Sentado na escada de um restaurante um idoso catatônico permanece incrustado no seu próprio corpo a despeito do movimento intenso ao seu redor. Os transeuntes apressados batem-se de quando em vez uns nos outros perdendo a noção dos limites de si mesmos em relação ao meio.
Uma mulher com o filho no colo diz que quer leite para criancinha e para isso precisa de dinheiro.
Uma avó sai de um taxi e uma louca que passa na rua proferindo um mantra em forma de impropério lhe finca as unhas no braço. Transfere parte do seu desespero. O coração da dama era forte.Mais adiante muitos jovens vendem créditos para quem não tem créditos. De pé o dia todo na rua, mercadores de ilusões. Dinheiro...dinheiro...dinheiro...na dicção perfeita do moço que poderia trabalhar na TV. A moça da loja assedia clientes na própria rua, enquanto talentosos artistas pedem alguns trocados no chapéu, no estojo do instrumento, algumas moedas...Ouve-se Vila Lobos e Tarrega. Cadê o convite para ele tocar no Salão Mourisco?Cultura de rua.A mulher elegante insiste em retirar o salto agulha preso no vão do paralelepípedo. Um esforço contínuo... Só se entregam aqueles que perderam totalmente a vontade e são os casos mais raros. A vida girando em círculos com grande esforço, trabalho...Luta, como dizia o monstro. Praticamente não há vagabundos, pois os traficantes de drogas, calçados e muitos apetrechos trabalham noite e dia sem parar. Alguém está trabalhando também no ramo de computadores. Esforçados ladrões levaram os computadores de quase todo um quarterão. Os depósitos de vagabundos permanecem trancados para a vida que se passa aqui fora: casas onde guardam pessoas com idiotia. Muito triste: eles fazem tudo nas calças e outros limpam afoitamente reclamando da vida. Alguns iogues na Índia não incomodam ninguém porque não comem e permanecem na posição de lótus durante meses, anos... Um pouco mais de paz para os que se agitam e um pouco mais de alegria para os que não tem vontade! Alguns gritam aos borbotões: morte a todos os vagabundos, estes filhos da p. que são os responsáveis pela raiva daqueles que não conseguem parar o tempo todo porque o tempo não permite. E eu? Eu estou de fora. Observo tudo isso. Não vou me expor aqui agora, porque vagabundo são os outros. Quem deve morrer não sou eu, são os outros. F.da p. são os outros.
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