sábado, outubro 22, 2005

"Eca"!

Você faz parte...
Eca foi o título de uma curtinha na revista Época sobre algumas curiosidades nas quais eu falarei mais abaixo.
Hoje eu fui à feira do verde na José Bonifácio que por sinal estava bem cheia de gente e produtos maravilhosos. Trouxe alguns molhos de alface e tempero verde. Chego em casa e já faço a higienização dos vegetais que me custa um certo trabalho para o qual sinto alguma pregüiça, pois deve ser no capricho. Como em outras ocasiões lá estavam duas lesmas, uma devia ser a irmãnzinha mais velha e outra a caçula. Uma pequena contração de nojo da minha parte foi pequena. Tenho uma certa simpatia por estes animaizinhos lânguidos que eu já sei levam horas para fazer amor e não sentem esta pressa que tantas vezes me faz emperrar uma gaveta ou derrubar coisas no chão. Não gostaria de me tornar uma assassina, mas eu as matei, pois talvez trasmitam esquistossomose (não tenho certeza se são estas lesminhas as verdadeiramente culpadas pela transmissão de tal doença) e se coloco no meu jardim suspenso podem devorar minhas plantinhas como andaram fazendo. (À propósito, houve uma invasão de caracóis após as chuvas por aqui que foi algo impressionante. Percebi inclusive algum caracol subindo a escada do prédio onde moram meus pais o que causou nojo em uma menina.)
Por que as lesmas não tinham caracol em cima, eis a questão. Algumas lesmas perdem suas casas e viram lesmas sem teto ou algumas não têm mesmo caracóis como ouvi dizer? Não tenho pressa em saber, pois somente quando o discípulo está pronto é que o mestre aparece. Larila...
Deixei de molho os vegetais lavados em água temperada com vinagre branco para evitar possíveis moléstias transmissíveis vida via vida. Por que temos tanto medo assim da vida? Por que tantos venenos e quem nos pode fazer mal se não o nosso pior inimigo (ou seja o próprio eu)?
Então escorri os verdes e como de costume coloquei tudo em potes de plásticos já prontos para receber um molho especial de limão com temperos que já vem pronto.
Isso tudo me faz lembrar o que li na revista Época e me deixou deveras impressionada. Imagine você que as sanguessugas do passado voltaram para a medicina em alguns lugares da Europa. Em cirurgias, as sanguessugas estão passeando pelo corpo dos operados e com sua saliva mágica desinfetante e analgésica voltaram a trabalhar na cicatrização do tecido cutâneo. E não ficaram somente aí. Foram criadas larvas de moscas devidamente higienizadas para que em cima de algumas feridas possam se alimentar de tecido morto, facilitando a recuperação dos tecidos. Estas técnicas não são legalizadas no Brasil.
A primeira vista ao menos, estas técnicas me parecem ecológicas e não há do que ter nojo ou medo. Nossa relação com os animais pode ser menos enojada e mais saudável. Os animais que vivem em condições que acarretam nosso nojo pela sujeira, putrefação e contaminação estão nestas condições na maioria dos casos por nossa conta. Todos podemos ser limpinhos, penso eu. E aí, porque o nojo se são lesminhas limpinhas, sanguessugas limpinhas, etc.? Os nossos velhos atavismos, portanto, podem ser muito bem reprogramados. E eu cada vez com menos medo de cachorrões, heeeee....
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