sexta-feira, setembro 09, 2005

A estranha

Você faz parte...

(Estranho. A caixinha está toda diferente hoje.)
...idéia da não-reprodução:
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Primeiro veio a semente dos transgênicos que não se multiplica, sendo que um pobre não pode levar consigo um punhadinho de grãos para plantar uma horta, sentindo com isso uma escassez determinada praticamente. Os machos e fêmeas de animais abandonados, após serem usados de qualquer forma que entenderem que se pode usar uma vida, são castrados e esterilizadas. Os venenos para barata se baseiam no princípio de obstar novas gerações, os venenos para pulgas em animais domésticos idem. Madames bem abonadas sentindo orgulho de fazerem caridade não param de reproduzir dinheiro em seus bolsos, mas vão as vilas impor educação e política de não procriação às mulheres pobres e segundo as ricas ficam tendo filhos porque "são ignorantes" e então contam histórias dos pobres ignorantes rindo às gargalhadas ou ostentando para as amigas e confidentes o absurdo que para elas representa o pensamento fora da orla da elite respeitável onde o dinheiro dá crias. E então vêm os comentários do tipo: "Porque colocar mais um filho no mundo para viver na miséria?" O que se reproduz para as senhoras e senhores que manipulam reprodução é dinheiro.
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O caso dos pit bulls se encaixam nesta mesma linha de raciocínio, podendo-se chegar com isso ao genocído genético desde a base. "Tá encomodando a gente não faz mais."
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A coisa foi longe demais quando a respeito dos pedidos de verbas para os problemas de anemia falciforme, doença que ocorre em maioria de descendência afro, um político teve a infeliz idéia de propor a esterilização das mulheres portadoras da doenças. Então, a chaleira "Zumbi" chiou uma barbaridade. Dizem que a vida iniciou na África, pois. Agora a morte também iniciaria. Depois viria a esterilização dos portadores de doenças mentais, diabéticos, estrábicos, etc...e assim a humanidade iria escasseando até sobrarem os descendentes mais diretos dos tiranossauros rex, ou seja daqueles que hoje estão no topo da cadeia alimentar.
E foram mais longe ainda ao estender para os objetos a política da não reprodução. Os direitos autorais em livros de qualquer passagem entre aspas que seja de um autor cujo cadáver não está bem frio, ou seja que não tenha morrido dentro dos últimos setenta anos passados não poderá ser escrita a menos que se peça esta gentileza a qual quem escreve livros deverá suplicar humildemente. Quem está com um livro engavetado vai sentir menos tesão ainda para publicá-lo.
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Cópias xerox estão previstas para casos especiais de vida ou morte provavelmente, mas nem agredito que recebi a informação certo e vou procurar pesquisar isso melhor quando eu não estiver tão desanimada com algumas notícias sobre o egoísmo da espécie da qual eu tive a infelicidade de ser membro. Xerox para estudantes estão mesmo proibidas, amiga? Será que entendeste bem a entrevista na TV?
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Um símbolo da reprodução são aqueles "bichinhos" do iogurte* como eu costumava chamar quando minha pacienciosa tia lidava com eles para me mimar. Aquelas plantinhas que parecem a flor de couve-flor que se coloca no leite para fazer iogurte... Como é o nome? São os tais lactobacilos vivos? Não eu não os quero. Acho que estou inserida neste contexto de "tempo é dinheiro" e os fermentinhos fofs dão muito trabalho, a gente tem de ficar oferecendo para todo mundo, percebe a grande abundância daquilo e fica na obrigação de distribuir para todo mundo e ninguém quer, porque querem as coisas e os seres vivos que não se reproduzem, porque somente o dinheiro se reproduz nas mãos de poucos e raros: os castradores, os esterilizadores, aqueles que vão acabar com criação e multiplicação para um dia serem reis sem súditos ou novos senhores de escravos. E o dinheiro em suas mãos continuará a reproduzir-se?
*são colocados no leite e quanto mais são colocados no leite mais se reproduzim sendo que o leite não apodrece tão cedo com eles e vira iogurte. Conhece?
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