sexta-feira, agosto 19, 2005

Quem precisa de lógica

Você faz parte...

Uma mulher que me tirou algo ou talvez tenha me feito ganhar algo com a sua atitude me chamava de incoerente todas as vezes em que eu argumentava suas humilhações escamoteadas.
Se é uma coisa que eu tenho certeza é de que estava no meu juizo na ocasião, embora em certas ocasiões tenha saído dele. Eu estudei lógica e tenho a coisa bem introjetada, embora não saiba na ponta da língua. Eu sei quem vive de forma ilógica e sei que quanto a esta pessoa me chamava de incoerente para me deixar nervosa seu objetivo e falas estavam tropeçando na lógica. A lógica lhe traria mais senso de Justiça, mais compaixão, mais eqüidade e menos medo. Na vida não me importa mais tanto o que ocorre por fora de mim. O que importa é o que está aqui dentro. Esta é a minha força. A força das pessoas injustas está depositada mais por fora até que tudo desmorone um dia e então vão buscar um discurso lógico que as sustente.

Nem todo texto, nem toda a conversa, nem toda poesia, nem toda fala precisa lógica.

Um juizo, um julgamento precisa lógica.

Se alguém está dando "uma lição" de moral ou "pregando ética" para outro alguém este discurso precisa de lógica. É o que geralmente não encontramos quando este sermão é dado por quem não tem moral ou ética suficiente para isso. Este terreno é tão delicado que os bons profissionais do direito costumam ater-se mais aos fatos do que as conclusões fáceis e perigosas para a sua carreira e para o cliente.

E principalmente para recebermos a carga de julgamento que existe hoje precisamos ética. Precisamos dela para descartarmos com êxito vários textos da internet que muitas pessoas inteligentes, criativas e formadas numa faculdade não têm condições de entender. Não há lógica, não tem moral verdadeira em alguns textos que transmitem como coqueluche e por muito tempo não houveram professores de Filosofia dando aulas para gurizada.

Há textos e poesias rebuscadas, floreadas, cheias de citações, adjetivos, superlativos e figuras de linguagem. Pobre desta poesia ricaça se lhes colocam um juizo falso de valor.

A poesia sobre o peão e o cusco, que coloquei aqui mais abaixo, considero um primor da literatura, não só gaudéria como do Brasil. Um simples peão de estácia, provavelmente um ex-escravo questiona a lógica dos seus patrões que lhe tiram o único ente que era realmente seu, o seu cãozinho (esta poesia está postada mais abaixo). E quantos argumentos ele tinha! Tinha tantos argumentos que a lei que vale para todos diante da sua vida e de sua situação tornam-se uma lástima. Exemplo e tanto de lógica e Justiça! Quando formos trabalhar com exemplos negativos aqui eles serão bem curtinhos e didáticos.

Livres da lógica que é meio chatinha podemos ser como quizermos sem afrontar os outros, sem estabelecer juizos de valor, sem moralismos de cuecas. Agora eu sei porque alguns moralistas tomam banho de cuecas. Aí a gente escreve coisas do gênero:


O
OvO
O
Desculpem se copiei alguém sem querer, mas isso que escrevi acima é tão essencial e tão óbvio.
E este tipo de coisa me liberta. Eu não preciso do arcabouço de leis imenso para escrever algo tão lindo. Não preciso de lógica. Posso ser incoerente todas as vezes que eu quizer num caso destes. Mas, se alguém me apresentar um daqueles sermões que me dizem que eu poderia ter cuidado melhor do meu peixinho e na verdade foi eu que matei o bicho por não ter estudado a fundo o seu comportamento, aí eu vou querer uma perícia completa na casa deste sujeito para ver se ele é mesmo santo. Vou ver se ele come de vez enquando peixe no almoço e fica depois dizendo estas coisas, entende? Também não transmito textos onde diz que para uma pessoa amar ela tem de ser perfeita e que existe uma diferença de fronteira bem clara entre amor e paixão. Isso eu simplesmente não acredito. Tais verdades partem de premissas sempre falsas. Parte de pessoas rígidas para como os outros e que não expoem o seu avesso, pessoas que bem poderiam ter mais liberdade e imaginação. Assim quando Camões escreve sobre o amor naquele seu lindo poema tão conhecido hoje em dia na web ele coloca tudo no mundo ideal, no mundo perfeito das idéias onde Platão influenciou o Romantismo. Ele não trás um conjunto de leis inaplicáveis aqui para a terra. Outros textos pretendem o seu leitor pratique moralismos inaplicáveis a seres erráticos. Estes não merecem citações e muitas vezes são anônimos ou de autor desconhecido.
A propósito, um colega que fazia leituras espirituais e trocava idéias comigo me alertou sobre alguns livros de espirtualismo em especial onde há lições simplesmente impraticáveis. Certo estava ele.
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