terça-feira, agosto 23, 2005

O que diz

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do Brasil no presente momento a filósofa Marilena Chaui:

"Ao abrir o ciclo de debates O Silêncio dos Intelectuais, no Rio de Janeiro, a filósofa Marilena Chaui disse que o PT começou a errar logo após a eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao aceitar participar de um governo de transição.

Para a professora, que falou na Maison de France, a transição foi uma "armadilha dos tucanos". Marilena criticou a agenda do governo, mas disse que a corrupção não deve ser entendida como problema de caráter pessoal dos governantes, e sim como reflexo do atual sistema político brasileiro. "Conheci os principais tucanos de perto na USP. Afirmo que é preciso ter os dois pés, as duas mãos e a cabeça atrás, ter muita desconfiança em relação ao que eles propõem", disse Marilena em sua palestra.

A transição, segundo ela, a pretexto de corrigir a situação de "bancarrota da economia e do Estado" em que se encontrava o País no fim de 2002, serviu como indicador de continuidade política. "É muito complicado colocar como transição. O PT foi eleito para transformação. A transição foi uma armadilha tucana poderosa", acrescentou.

A partir desse erro, acredita Marilena, o governo Lula teria persistido em um rumo equivocado ao não impor como agenda as reformas tributária e política. "Na melhor das hipóteses, houve um erro de timing", disse a filósofa, para quem a discussão sobre questões sociais não recebeu o tratamento adequado por parte do governo Lula. "Certamente, a primeira ação que daria significado mais que simbólico à proposta do Fome Zero seria a reforma tributária", afirmou Marilena, que lembrou a posição do Brasil como segundo pior país do mundo em desigualdade econômica, atrás apenas de Serra Leoa, um país africano que enfrenta guerra civil. "A agenda não foi essa. Veio a reforma previdenciária."

O segundo passo, na visão de Marilena, deveria ter sido a reforma político-eleitoral, em que um dos pontos a serem alterados, apontou, seria a excessiva fragmentação partidária. "O sistema político brasileiro é uma aberração", disse a filósofa. "Nenhum presidente tem maioria no Congresso. Desde Sarney sabemos como se obtém vitórias nas votações. Todo mundo sempre soube. Nosso sistema político tem todas as distorções possíveis", afirmou.
Ao deixar de lado a reforma política, disse Marilena, o governo Lula ficou "atado ao sistema tal como ele é" e fez as alianças que acabaram por lançá-lo na crise em que hoje se debate. "A inscrição transformadora do PT ficou escondida sob reformas que tucanos não tiveram coragem de fazer", avaliou.

Marilena atacou o que chamou de "moralismo na política". Ela disse que não se deve reduzir o problema da corrupção a uma questão de caráter pessoal, mas entender o fenômeno como resultado do próprio modo como o sistema político brasileiro está estruturado. "Precisamos fazer a reforma política ou continuaremos a gritar contra o caráter dos indivíduos", alertou.

Marilena não quis falar com a imprensa, limitando-se a dar declarações a órgãos públicos, como a TV da Assembléia Legislativa do Rio e a TV Educativa. Ela disse não ter condições ainda de fazer uma análise mais específica sobre a crise política. "Há momentos em que o silêncio é um dever. Ainda não entendi por inteiro, por isso não posso escrever nem falar sobre ela. Seria irresponsabilidade oferecer uma análise para convencer os outros", afirmou."
Reportagem da AOL-
Concordo no sentido de que a apuração das faltas individuais existem e não deverão deixar de existir, mas além de existir a questão do indivíduo deve haver uma visão global da problemática do Brasil, ou seja: a problemática da péssima distribuição de renda em última análise. Falta de organização da esquerda é um problema à parte que prejudica muito a esquerda em relação à direita camuflada com quem não devemos nos casar nem por interesse. Quem quer um país que vá trabalhar na distribuição desta renda com melhorias sociais que se una neste momento tão difícil!
A transição para democracia deve ganhar um novo sentido a partir de agora com respeito a soberania da Nação, respeito ecológico pela Amazônia por exemplo e uma crescente tomada de consciência do povo em relação a direitos e deveres que temos. O grito de Independência terá de ser dado novamente e desta vez com um propósito bem definido.
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