sábado, agosto 20, 2005

Mãos dadas

Você faz parte...

"Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não canterei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considera a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de nãos dadas.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história.
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente."

(Antologia Poética de Mário de Andrade págs. 97 e 98- trecho do livro TDF já mencionado- Editora Saraiva)

Não há o que criticar aqui pois está tudo muito lógico. Mas, acho que dá para ir além. E nem precisa ser tão lógico e pé no chão assim. O Mário que seja! Não critico as coisas que são muito lógicas, costumo até omitir dizer que às vezes elas não servem para mim, quando algumas pessoas estão achando que podem ser donos da minha vontade e ter o rumo da minha vida em suas mãos. Só que estas pessoas não querem a responsabilidade que cada um tem por suas vidas. Geralmente quando eu faço algo por alguém além dos contratos bem estudados é de coração (com muita vontade) caso contrário costumo me arrepender. É certo que a minha vontade precisa se exercitar. Fico deprimida com freqüência e o maior desejo abstrato da minha vida, o meu segredo é impossível a não ser por milagre: sentir-me aceita completamente. Impossible I know. Continua segredo, pois você nunca poderá saber como eu me sinto, pois não está na minha pele.

Bom, mas voltando ao Mário, que sai do assunto, a parte mais legal do poema para mim são as mãos dadas, a solidariedade. No mais eu conjugo verbos em todos os tempos, com todo o respeito pelos mais pragmáticos.
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