segunda-feira, agosto 29, 2005

"Cordeona"


Você faz parte...

de Jayme Caetano Braun


"De onde me vem,
Cordeona,
o formigueiro
Que sinto n`alma,
ao te escutar floreando?
E essa vontade de morrer peleando.
Será que um dia eu já não fui gaiteiro???
De onde me vem esse tropel no pulso,
E esse calor de fogo que incendeia?
Por que será que fico assim,
convulso,
E só de ouvir-te o sangue corcoveia???
É o atavismo, eu sei,
Cordeona amiga,
Sem que tu digas,
sem que ninguém diga,
Parceira guasca que nos apaixonas.
E se mil vidas Deus me desse,
um dia, Uma por uma delas,
eu daria,
Prá ter mil funerais de mil Cordeonas!!!"

Tá vendo esta foto aí, vivente? Tava pensando que era a mulher do brinco de pérola, né? Pois, não é. Esta daí soy yo. Eu quando era guria na cidade de Júlio de Castilhos. Lugar frio de rachá os beiso! E eu estou vestida de prenda, caipira, ou sei lá o quê arrajado para uma quermesse do colégio de freiras.

Cordeona tem a ver comigo sentada nestas rodas de gaitas em um sítio em especial de uns amigos muito bons que viviam próximo. Só ouvindo de platéia. Havia um respeito de todos. Não se falava, escutava-se. Faz parte da minha cultura musical intuitiva que não saberia explicar direito. Por isso quando era feio ter de ouvir estas coisas eu acreditei e ouvi muita música, boa parte dela em Inglês, Francês, Clássicos, Chico Buarque e se fosse para ouvir música gaúcha tinha de ser Nativista. Mas, o vanerão e outras gaitadas choronas tinham esta beleza de quem nem pediu licença para expressar um rio de sentimentos que ficaram guardados em algumas das minhas recordações. E fui puxada para bailão. E dancei nas discotecas. Dancei na academia de dança moderna. Estudei música, mas nem tanto. Mas, o meu primeiro instrumento mesmo, do qual eu tenho um carinho muito especial foi o triângulo. O triângulo que eu toquei na bandinha do jardim. O triângulo ficou junto com um mundo alegre e vermelho que deixei e eu nem sabia o quanto eu ia chorar por isso.
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