sábado, julho 09, 2005

Inesquecíveis anos 60

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Eu era uma guriazinha...

"A VIOLÊNCIA NASCEU COM O GOLPE

Aos responsáveis e cúmplices do golpe de 64, não bastou atingir o povo no seu direito a liberdade. Eles formam muito além, usurparam das pessoas seus direitos à integridade física e à vida.

Os primerios meses pós-golpe ficaram marcados pela detenção de aproximadamente 50 mil pessoas. os militares realizaram uma "operação pente-fino": de rua em rua, de casa em casa, procuravam suspeitos, livros, documentos, qualquer coisa que ligasse os acusados ao governo anterior ou à "subversão". Não se prendiam "culpados", mas todos os que não podiam provar inocência. Poucos líderes sindicais e estudantis escaparam da repressão.

O interrogatório era acompanhado de espancamento que endurecia conforme a "periculosidade" da vítima. Dessa foram, sofriam mais os inocentes e os completamente ignorantes da nova política - por não terem o que esconder, não mentiam, diziam que não sabiam de nada e, por isso, tornavam-se altamente suspeitos pela sua "resistência".

Nas primerias semanas depois do golpe, a imprensa (ainda sem censura plena) noticiava timidamente as violências. Mas a revista Time informou ao mundo a existência da Operação Limpeza, assegurando que se prendiam em média 10 mil pessoas por semana. a imprensa internacional divulgou a situação do Brasil e já em setembro de 1064_ seis meses após o golpe_as entidades internacionais de defesa dos direitos humanos começaram a denunciar o regime militar brasileiro.

Prendeu-se tanto que as cadeias foram insuficientes. O Maracanã virou presídio, navios da Marinha receberam centenas de "subversivos". Os quartéis em todo o Brasil lotaram-se de prisioneiros. A impunidade estimulou o uso da tortura. Cometeram-se tantos abusos que a imprensa brasileira também começou a denunciá-los. O governo Castelo Branco, geralmente apresentado como "democrático", prometia investigar, enquanto a violência ia se incorporando ao cotidiano nacional.

Planejou-se matar milhares

Em 1968 o AI-5 impôs a imprensa a mais brutal censura da história do Brasil. Absolutamente nada que "ofendesse" o governo podia ser noticiado. a partir daí a violência tornou-se um método de dominação. Todos os jornais, inclusive os que apoiaram o golpe, foram censurados e alguns de seus diretores presos.

O "Exército de Caxias" cehgou a um rebaixamento moral que os militares tlvez pensassem jamais ser possível. Em abril de 1968, explodiu uma bomba tão forte no saguão de O Estado de S. Paulo que arrebentou os vidros dos edifícios localizados em um raio de 500 metros. As autoridades atribuíram o antentado às "forças de esquerda", usando o fato para justificar o aumento da repressão e da censura. Dez anos depois descobriu-se que a explosão havia sido preparada e executada pelo Estado-Maior do II Exército.

Seguiram-se outros atentados planejados pelo II Expercito para culpar a esquerda, entre eles um idealizado pelo general Jaime Portela, chefe da Casa Militar da Presidência Da República. Em 20 de agosto de 1968, um grupo de soldados da Força Pública de São Paulo explodiu uma bomba em um estacionamento em frente ao Deops. A operação era tão secreta que seu lider foi torturado por engano nas dependências do Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais): pressionado, Aladino Félix (também conhecido por "Sábado Dinotos") confessou ter agido sob ordens do general Portela.

Os atentados de direita multiplicavam-se, alguns com o objeitovo claro de intimidar políticos, artistas ou intelectuais, outros para incriminar as esquerdas. O CCC atacou livrarias, teatros, cinemas e escolas.

Um dos mais espetaculares atentados projetados pelo governo_ou por militares intimamente ligados ao poder_acabou frustrado pela recusa de um oficial em executá-lo. Em 1968, o brigadeiro João Paulo Penido Burnier, chefe de Gabinete do ministro da Aeronáutica, Márico de Souza Mello, planejou explodir o gasômetro do Rio de Janeiro, com o auxílio do Para-Sar* (divisão da Aeronáutica empregada para salvamentos...). Milhares de pessoas morreriam, mas, segundo o brigadeiro Burnier, o atentado seria necessário para "salvar o Brasil do comunismo", instigando o ódio da população contra os "subversivos", que levariam a culpa pelas mortes.

O capitão-aviador Sérgio Miranda de Carvalho, encarregado de executar o plano, negou-se a cumprir a missão e ameaçou denunciá-la, caso Burnier pretendesse levá-la adiante com outros oficiais. O plano frustrou-se, mas o capitão Sérgio foi afastado da Aeronáutica, em 1969, acusado de "louco".

Só em 1978 a verdade veio à tona, graças ao depoimento do brigadeiro Eduardo Gomes, em defesa do capitão Sérgio. O brigadiro confirmou que se preparava "a explosão de gasômetros, a destruição de instalações de força e luz, (que seriam posteriormente atribuídas aos comunistas). Em seguida ao pânico, viria a segunda etapa "(aconteceria) sumariamente a eliminação física de personalidades político-militares, o que, no seu entendimento (do brigadeiro Burnier), possibilitaria uma renovação nas lideranças nacionais. A execução de tal plano aproveitar-se-ia do momento psicológico em que as passeatas e agitações estudantis perturbavam e agitações estudantis perturbarvam a ordem pública."

(CHIAMENTO, Júlio José. O golpe de 64 e a ditadura militar. 3. ed. São Paulo, Moderna, 1964. Coleção Polêmica)

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